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The ever-changing world of communication

O clube de que todos falam

23 de Fevereiro de 2021Filipa Franco Nogueira

Com tanto buzz à volta do Clubhouse, torna-se inevitável explorar a aplicação de que todos falam neste momento em Portugal. Apesar de ter sido criado em abril de 2020 e de já ter mais de 600 mil utilizadores, só na última semana é que o boom desta rede social se deu no nosso país. Tem um conceito vencedor, com uma mecânica inovadora e deixa em aberto o seu futuro e o da comunicação.  
 
Primeiro, o conceito 
Chegou envolto num conceito vencedor, ou não fosse a exclusividade uma das mais apetecíveis formas de conquistar seguidores e audiência. Todo ele é mistério, como um clube restrito acessível apenas a uma elite e a algumas figuras públicas, que vão partilhando comentários sobre o que se passa nesse espaço virtual tão inacessível. 
Inacessível porque, por um lado, para entrar é preciso ter convite e cada membro pode convidar apenas duas pessoas. Quando se tenta perceber melhor essa exclusividade, descobre-se que na verdade basta que alguém dos seus contactos seja membro e aprove a sua inscrição, para também se tornar membro. Seja como for, é sempre preciso uma “autorização”. Por outro lado, esta aplicação só está disponível na App Store, logo é exclusiva para quem tem iPhone. Contudo, a empresa anunciou que está previsto o lançamento de uma versão para Android.
 
Segundo, a mecânica
Ultrapassadas as questões do convite e do sistema operativo, entra-se no tão desejado Clubhouse e chega-se a um mundo tão surpreendente como óbvio. Surpreendente porque de facto é diferente de qualquer outra aplicação, uma vez que se baseia exclusivamente no áudio. Óbvio porque de tão simples e ao mesmo tempo incrível, não se percebe como não tinha já sido inventada. Há um sentimento de que já podia existir desde “sempre”, o que leva à pergunta ridícula: como é que uma app destas ainda não existia? 

Voltando à questão, uma vez dentro do desejado Clubhouse escreve-se o nome verdadeiro, o username e uma bio e junta-se uma fotografia. Também é possível agregar uma conta de Twitter e de Instagram. A partir desse momento, o áudio é rei. Não há mais texto, imagens, vídeos ou mensagens escritas. Quando as pessoas falam aparece a sua fotografia de perfil e não um vídeo em tempo real, mas as conversas são sempre em direto e não podem ser gravadas ou guardadas, para transmissão futura. 

O elitismo fica também de lado, até porque as salas têm capacidade para 5 mil pessoas e pode-se estar a falar diretamente com Francisco Balsemão, CEO da Impresa, sobre as novas apostas da SIC, com o Álvaro Covões sobre a possibilidade de já haver concertos no verão ou com o Fernando Alvim sobre quem é o convidado desse dia na Prova Oral. Ter figuras públicas tão acessíveis é de uma riqueza sem igual, assim como o imediatismo que fica ao alcance de uma sala. Pode-se seguir membros e ser seguido, pode-se criar uma sala sobre qualquer tema (no momento ou para uma data concreta) e entrar numa sala pública já formada sem ter de pedir autorização. Da mesma forma que se entra, pode-se sair quando se quiser. No Clubhouse tudo é possível.
 
Terceiro, a tendência
No Clubhouse, de facto, tudo é possível. O Clubhouse pode ser visto como um podcast em direto e interativo ou como uma conferência telefónica sem vídeo ou mesmo como uma grande sala de estar, onde pode estar o Jared Leto ou o Mark Zuckerberg a falar diretamente consigo.

Quem adere a esta plataforma tem acesso a conversas, discussões e entrevistas sobre vários temas, com a clara vantagem de se poder ter e dar feedback em tempo real, já que qualquer pessoa pode pedir a palavra a quem criou a respetiva sala. Alguns membros vão saindo e outros vão entrando, conseguindo-se prolongar uma sala aberta durante toda a tarde, com uma grande diversidade de protagonistas e inputs.

Como se pode escolher os temas que interessam a cada um e pode-se aderir a clubes temáticos, as salas vão aparecendo segundo esses critérios (e de acordo com os membros que se segue). Tanto pode haver salas em que se debatem trivialidades, como salas em que se pensa o futuro da cultura, o consumo no geral, os limites do humor, a política, o turismo, o teletrabalho. Contudo, o foco principal nestes dias tem sido a comunicação nas suas infinitas vertentes. 

Além de o Clubhouse ser uma nova aplicação que oferece uma nova forma de comunicar é por si só também uma ferramenta de e para a comunicação. Muito se fala sobre a transformação que esta plataforma pode trazer à comunicação. Vai matar a rádio ou poderá complementá-la? Será um concorrente aos programas televisivos em direto? Pode servir para fazer follow ups de temas pertinentes para serem tratados posteriormente nas rádios, televisões, jornais ou outros meios digitais? Como pode ser usada para fazer funcionar a comunicação das agências em áreas como a saúde, a restauração, as instituições?

Ainda há muitas salas – mais as portuguesas do que as internacionais – que estão a analisar o que é o Clubhouse, quais as suas valências, potencialidades, riscos e consequências que pode vir a provocar. Especula-se ainda muito como vai funcionar no futuro, que depende se se mantém para uma elite (de 600 mil!) ou se vai haver uma adesão em massa. Seja como for vai haver uma transformação da comunicação. Se é que não está já a decorrer.
 

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