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The ever-changing world of communication

Estratégia… de adaptação

06 de Setembro de 2021Filipa Franco Nogueira

Diz o senso comum que as regras existem para ajudar alguém a lidar com alguma coisa em determinada situação. As regras, no fundo, são soluções que foram testadas e que comprovadamente resultam. Talvez por isso sejam utilizadas como orientação segura e fiável para um determinado objetivo.
 
Em comunicação, essas regras foram testadas e aperfeiçoadas ao longo do tempo e passam sobretudo pela estratégia e pelo planeamento, duas ferramentas fundamentais para quem trabalha nessa área e sabe que para atingir determinado objetivo deve seguir determinado caminho.
 
Contudo, as regras - apesar de testadas, aperfeiçoadas e vencedoras - não contemplam imprevistos. Podem contemplar um pequeno desvio de estratégia, planeamento ou mesmo objetivo final e pode sempre ser possível contornar um ou outro obstáculo que possa surgir, num plano de comunicação bem desenhado e com critérios bem definidos. Mas – e temos mesmo de começar esta frase por mas – NADA consegue superar a imprevisibilidade de uma pandemia.
 
Em primeiro lugar, ninguém estava propriamente à espera que no final de 2019, os loucos anos 20 começassem de forma tão surreal. Logo aí o fator surpresa foi como uma explosão de incertezas a rebentar na cara de todos nós.  A notícia menos má é que foi surpresa para todos. Em segundo lugar, ninguém sabia bem – nem sabe ainda, na verdade - como lidar com essa surpresa, nem durante quanto tempo teria de lidar com os estilhaços que daí resultaram.
 
Nunca, em tantos anos, houve tantas variáveis desconhecidas como agora. Tanto na vida em geral como na comunicação em particular. A juntar ao próprio desconhecido de toda a situação, os decisores - também eles surpreendidos com a tal explosão – acabam por tomar decisões que condicionam não só o dia a dia de todos nós, como também o lado profissional, e coisas tão simples como um plano de comunicação criteriosa e estrategicamente concebido torna-se simplesmente obsoleto. A imprevisibilidade da nossa realidade e das decisões de quem manda torna, em alguns casos, impossível planear ou antecipar planos e estratégias na sua totalidade.
 
Nesse momento entra em campo uma das principais e preciosas características que nos distingue dos animais: a capacidade de adaptação. Como seres inteligentes que somos, adaptamo-nos às situações e tentamos melhorá-la encontrando soluções.
 
Hoje mais do que nunca, é possível comprovar a nossa capacidade de adaptação e criatividade, e ficou também mais do que provada a natureza camaleónica da comunicação e a sua capacidade para se reinventar e surpreender. Hoje mais do que nunca, percebemos que para se adaptar aos vários cenários e realidades que se apresentam, a comunicação conseguiu provar - como se fossem necessárias provas - que não é estanque e que não é obrigatório ser escrupulosamente desenhada a regra e esquadro.
 
A rapidez e eficácia na mudança da estratégia de comunicação e a adaptação à realidade concreta que se apresenta são atualmente as melhores ferramentas de uma empresa que se impõe dinâmica, que consegue ler a realidade e o mercado e que, sobretudo, continua a ir ao encontro do cliente. Mesmo que às vezes seja uma reação e não uma antecipação. O que interessa é saber reagir. O importante é saber ler a realidade concreta e conseguir encontrar as ferramentas necessárias. O fundamental é conseguir perceber o que precisa de facto o cliente e dar-lhe renovados produtos ou serviços, (re)direcionar o foco, personalizar a informação e, quem sabe até angariar novos mercados que estavam adormecidos antes. Porque muitas vezes uma crise também pode servir para abrir portas e ser o pretexto que se precisava para expandir horizontes.

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